Câncer de cólon e reto

Dr. Nelson Marfil Filho, endoscopista da Clínica Endocentro
Especialista em endoscopia digestiva pela SOBED/AMB
Especialista em endoscopia das vias aéreas e digestivas pela SBEP/AMB
Contato: drmarfil@endocentrosantos.com.br

Dr. Nelson Marfil Filho

O câncer colorretal é um dos tumores malignos com maior incidência no mundo. Na região sudeste do Brasil, o câncer colorretal ( tumores do reto e do intestino grosso ) é o terceiro mais frequente no homem e o segundo na mulher, de acordo com o INCA ( dados de 2012 ).

O fato de ser uma neoplasia de diagnóstico relativamente simples, desde que exames especializados sejam indicados precocemente, fortalece sobremaneira o papel do médico. O profissional deve ser procurado com a maior brevidade possível em pacientes que estão no grupo de risco para desenvolvimento de tais tumores, bem como no caso de sintomas preditivos iniciais, os quais são muitas vezes sub-valorizados. Dentre os principais sintomas, o sangramento nas fezes é o principal e muitas vezes portadores de tumores avançados creditam tal quadro a “hemorróidas” e deixam de procuram o especialista.

Em geral, quando detectado precocemente seu prognóstico é bom, com chances de cura que podem chegar a 95%. Se diagnosticado em fases iniciais pode, inclusive, ser tratado por colonoscopia, evitando, em alguns casos, tratamentos complementares como a cirurgia, radioterapia e quimioterapia.

Apesar do quadro alarmante que é o sangramento retal, as fases iniciais do câncer colorretal comumente não apresentam sintomas, aumentando as possibilidades de um diagnóstico tardio, quando as chances de cura para o paciente são mais reduzidas. Por isso, é imprescindível que todo indivíduo que se encontra nos grupos de risco realize colonoscopia, o único exame capaz de diagnosticar o câncer colorretal em fases incipientes, quando ainda é potencialmente curável.

Uma das formas mais comuns de apresentação do câncer colorretal em fase inicial é o pólipo, lesão elevada da mucosa intestinal semelhante a uma verruga comum. Quando pequenos, geralmente não causam sintomas, mas o crescimento de tais lesões pode levar ao quadro clássico de sangramento retal ou sintomas menos acentuados como a presença de muco nas fezes. Os pólipos de reto e cólons podem ser de vários tipos, porém os relacionados ao câncer são os do tipo adenomatoso; tais lesões podem malignizar em 60 a 90 % dos casos em alguma fase da vida, segundos estudos. Outros tipos de pólipos também podem malignizar, tais como pólipos hiperplásicos, serrilhados e do tipo misto, porém a incidência de transformação maligna nesses casos é muito baixa. O tamanho do pólipo também tem relação com o índice de neoplasias, de modo que lesões com até 0,5 cm raramente malignizam ( menos de 1% de chance ), enquanto lesões maiores que 2,0 cm podem malignizar em mais de 40% dos casos. Em Nosso Serviço, já tivemos a oportunidade de tratar pólipos com 0,3 cm que já haviam se transformado em adenocarcinomas, o tipo de neoplasia maligna mais comum e foco deste nosso artigo.
câncer de cólon

pólipo de cólon

Grupos de risco para desenvolvimento de câncer colorretal:
• Pessoas acima dos 50 anos de idade, mesmo sem quaisquer sintomas: quanto mais alta a faixa etária, maior o risco de desenvolvimento de pólipos e câncer colorretal. É importante salientar que até 75 % dos novos casos diagnosticados estão nesse grupo de pacientes.
• Homens e mulheres de qualquer idade, principalmente à partir dos 40 anos que têm histórico de câncer de cólon ou câncer ginecológico na família. Também estão incluídos nesse grupo pacientes com antecedentes de polipose adenomatosa familiar.
• Portadores de doença inflamatória intestinal ( Retocolite ulcerativa inespecífica e Doença de Crohn ): estudos indicam que os tumores malignos de reto e cólon podem ter sua incidência elevada em até 20 vezes nesses grupos.
• Pacientes já submetidos anteriormente a colonoscopia ou retossigmoidoscopia com histórico de retirada de pólipos intestinais.

Assim, caso você faça parte de um dos grupos citados acima, procure um proctologista e informe-se quanto à necessidade de realização de uma colonoscopia. Lembre-se: quanto antes a doença for diagnosticada, maiores serão suas chances de cura e menos invasivo será o tratamento. O aparecimento de sintomas geralmente ocorre em fases mais avançadas da doença, quando em muitos casos já houve metástase e/ou o comprometimento de linfonodos ou gânglios, minimizando as chances de cura completa.

Muitos pacientes nos perguntam se é possível prevenir o câncer colorretal. A resposta para tal questão é bastante abrangente e depende de vários fatores, bem como do grupo de risco em que se encontra o paciente. Dentre medidas gerais, higieno-dietéticas, podemos sugerir dietas ricas em fibras e água, as quais aumentam o volume fecal e o peristaltismo, de modo que substâncias cancerígenas ficam menor tempo em contato com a parede intestinal. O fumo e o álcool também são importantes no aparecimento do câncer de modo geral.
A atividade física, pelo menor três vezes por semana também colabora na regularização do funcionamento do intestino, além de melhorar a saúde como um todo.
Quanto aos pacientes incluídos no grupo de antecedentes familiares, existem exames específicos que podem auxiliar no diagnóstico de Síndromes familiares de origem genética.
Além da colonoscopia, outros exames são importantes para auxiliar no diagnóstico precoce de lesões neoplásicas. Dentre eles encontramos s pesquisa de sangue oculto nas fezes, pesquisa de marcadores tumorais, a retossigmoidoscopia, os teste s de DNA nas fezes, o enema opaco, etc. Tais exames não são o escopo deste breve artigo e podem ser explicados pelo seu médico.

Finalmente, creio que o advento da colonoscopia com equipamentos dotados de magnificação de imagens, cromoscopias e imagens em alta definição estão melhorando a cada dia a acuidade e precisão diagnóstica, porém o mais importante a salientar é que o exame deve ser realizado por profissionais habilitados e treinados não apenas para diagnosticar, mas principalmente tratar eventuais lesões precursoras do câncer.

© 2014 Endocentro. Todos os direitos reservados // Desenvolvido em Wordpress // CNES: 3351963.